quarta-feira, 1 de abril de 2009

De Acadêmico Para Acadêmico

A Bioquímica é uma das ciências mais fascinantes porque demonstra o ser vivo em seus componentes básicos e estuda o funcionamento ordenado das reações químicas que tornam possivel a vida de um organismo. Os processos básicos de digestão química, absorção e metabolismo dos nutrientes pelas células, são realizados por reações bioquímicas, o qual requer minuciosos estudos sobre como se processam tais fenômenos, que constituem o ato da Nutrição. Sim, vocês sabem que são horas, dias, meses e anos frente a livros de Bioquímica, Fisiologia Humana e Biologia Celular e Molecular (risos).

Nos últimos dias tive a oportunidade de finalizar a leitura de um livro chamado 'Bioquímica da Nutrição', escrito pela Engenheeira de Alimentos Jane Rizzo Palermo.


Trata-se de um livro pouco volumoso, porém com inforções úteis a estudantes de Nutrição sobre a bioquímica que engloba o sistema digestório e um pouco sobre alimentos. No entanto, vejam a seguinte citação extraída do livro:


"Vários processos envolvem a utilização da glicose no organismo [...] Gliconeogênese é a síntese de glicogênio a partir de ácidos graxos e proteínas. Glicogênse é a síntese de glicogênio a partir da glicose. Glicólise é a oxidação da glicose para produção de energia. Glicogenólise é o catabolismo de glicogênio para a síntese de glicose." Página 32

Bom, primeiramente Gliconeogênese ou Neoglicogênese ocorrem básicamente em estimulo da hipoglicemia, condição que pode ser causada pelo jejum ou atividade física prolongada. Quando um individuo ingere uma refeição rica em carboidratos logo seu sangue estará rico em glicose (Monossacarídeo absorvido a partir da hidrólise, ou seja, digestão dos di, tri e polissacarídeos) no qual a parte não utilizada para o metabolismo celular é armazenado.

A glicose NÃO UTILIZADA é armazenado no fígado e nos músculos sob a forma de GLICOGÊNIO, sendo uma fonte essecial de glicose pós-prandial. Em situações de hipoglicemia ou atividade muscular, o glicogênio hepático e muscular é oxidado pra liberar a glicose que o constitui. Porém, quando não há uma fonte glicídica para fornecer GLICOSE, o nosso espetacular organismo utiliza fontes não glicídicas para fabricar glicose, quais são essas fontes? Proteína e Ácidos Graxos a partir dos triglicerídeos armazenados.

Portanto, eis a minha discordância com relação a explicação utilizada por Jane Rizzo Palermo em seu livro, pois Gliconeogênse ou Neoglicogênse, é a síntese de GLICOSE (Forma imediata) de energia e não de GLICOGÊNIO (Forma armazenada).



Porém, não sei que fontes ela utilizou para organizar essa idéia, por isso novamente fui atrás dos livros de bioquímica e eles são bem claro:

"Das 11 reações necessárias para converter o piruvato em glicose livre, sete são reversíveis, catalisadas por enzimas glicolíticas [...] Na gliconeogênse, o equilibrio das sete reações reversíveis da glicólise é deslocado para favorecer a síntese de glicose como resultado da formação essencialmente irreversível de PEP, frutose-6-fosfato e glicose, catalisada pelas coenzimas gliconeogênicas. Nota: A estequiometria da glicogênse a partir do piruvato acopla a clivagem de seis ligações de fosfato de alta energia e a oxidação de dois NADHs com a formação de cada molécula de glicose [...] Bioquímica Ilustrada, 3 edição, 2006; Pamela C. Champe, Richard A. Harvey, Denise R. Ferrier; Editora Artmed

"A gliconeogênse transforma o piruvato em glicose. Os precussores não glicídicos da glicose são tranformados primeiro transformados em piruvato ou entram na via na forma de intermediários, tais como oxaloacetato e di-hidroxiacetona fosfato [...]" Bioquímica, 5ª edição, 2004; Jeremy M. Berg; Jhon L. Tymoczko; Lubert Stryer; Editora Guanabara Koogan S.A

"Quanro as reservas de carboidratos do organismo diminuem abaixo do normal, pode haver formação de quantidade moderada de glicose a partir de aminoácidos e do glicerol da gordura. Esse processo é denominado gliconeogênse." Tratado de Fisiologia Médica, 10ª Edição; Guyton & Hall

Sudações Nutricionais a todos!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Obesidade Infantil - O que os pais podem fazer?



Sem prejudicar o crescimento e a saúde de uma criança obesa, os pais podem fazer dos hábitos saudáveis um comprometimento familiar. Fazendo isso, tais hábitos se tornarão um modo de vida para seus filhos não só na infância como também na vida adulta. Segue abaixo 12 medidas práticas para prevenir obesidade em crianças e adolescentes:

1. Servir mais frutas, verduras e legumes em vez de lanches (Salgadinhos, bolachas, etc).

2. Limitar o consumo de refrigerantes, bebidas adocicadas e petiscos com excesso de gordura e açucar em sua composição, dar preferência a grelha e cozinhar no vapor.

3. Evitar frituras, usando métodos de preparar alimentos com menos gordura, como assar, grelhar e cozinhar no vapor.

4. Servir porções menores

5. Evitar usar comida como recompensa ou suborno

6. Não permitir que os filhos deixem de tomar café da manhã, pois eles podem querer comer de mais depois.

7. Sentar-se a mesa para comer. Quando se alimenta na frente da TV ou do computador, o individuo come mais e fica menos ciente de que está satisfeito.

8. Incentivar a atividades físicas como andar de bicicleta, jogar bola, correr, pular corda.

9. Limitar o tempo gasto com TV, computador e videogames.

10. Planejar passeios em familia, como visitar o zoologico, nadar ou brincar num parque.

11. Dar tarefas domésticas para seus filhos que envolvam trabalho físico.

12. Dar um bom semplo alimetando-se bem e fazendo execícios físicos.

Fontes: Institutos Nacionais de Saúde (EUA) e Clínica Mayo
Referências bibliográficas: Revista DESPERTAI! Março de 2009

Dieta e Cárie - Entrevista com o Odontólogo Ramssés Silva


Primeiramente queria agredecer ao odontólogo Ramssés Silva por ter concedido seu tempo, para responder as perguntas mandado pelo leitor! E Obrigado a todos por mandarem suas perguntas. Segue abaixo a entrevista:

Carlos - Gostaria de saber a respeito de pontes fixas, se há risco de que venham a "cair" e se elas têm um tempo de vida útil. Também gostaria de saber se o açúcar mascavo e os adoçantes artificiais têm algum impacto sobre os dentes.

RAMSSÉS:

Sim, existe o risco de que as Próteses Fixas venham a ser mal sucedidas. Isto decorre de diversos fatores, tais como: técnica inadequada no preparo dos dentes envolvidos, técnica inadequada na confecção da prótese, erro na moldagem dos dentes, falta de ajuste de mordida na prótese já cimentada (prótese muito alta ou sem acabamento satisfatório), carga excessiva sobre a prótese (acima da capacidade da prótese; lembre-se, prótese nunca terá a mesma resistência de um dente natural). Porém, se o mínimo de técnica e critério corretos forem utilizados, as próteses fixas são definitivas;

O açúcar mascavo também é um sacarídeo, portanto, também de fácil metabolização pelas bactérias causadoras da cárie. O seu uso como substituto ao açúcar comum (cristal) não implicará em diminuição do risco da doença. Já os adoçantes não são utilizados pelas bactérias da mesma forma que outros carboidratos mais complexos, implicando sim, neste caso, numa diminuição do risco. Mas, como todos nós sabemos, são diversos os fatores que influenciam no aparecimento da doença (doença multifatorial) e, a simples utilização do adoçante não significa diminuição do risco se o paciente não higienizar adequadamente, por exemplo.


Ralf Raniel - Existem quantidades especificas na quantidade de açúcar na alimentação ou outro alimento que venha a causar cárie ou a simples presença já é possível o surgimento?

RAMSSÉS:

Costumamos dizer que uma tríade é responsável pelo surgimento da cárie (além dos fatores agravantes, é claro): a presença do órgão dentário onde a bactéria irá se fixar (dente), a presença da bactéria cariogênica e a presença do substrato (carboidrato) fonte de alimento à fermentação bacteriana. A simples presença de carboidrato metabolizável por estas bactérias colonizadoras e para a sua fermentação lática será suficiente para o início do processo carioso, claro, sem esquecer os outros fatores que atuarão em conjunto para o surgimento da doença.

Sophia - Fio dental diminui os riscos?

RAMSSÉS:

Sim. A remoção mecânica do substrato irá diminuir a oferta de alimento às bactérias diminuindo, também, o risco da doença. Mas a utilização exclusiva do fio dental não será suficiente para evitar seu surgimento.

Édna - Não costumo escovar os dentes após uma refeição, porém eu sempre faço bochechos com água, isso ajuda a prevenir?

RAMSSÉS:

É aconselhável que SEMPRE se faça a escovação após as refeições, evitando que substrato fique acumulado na cavidade bucal, servindo de fonte alimentar aos microorganismos causadores da doença. O bochecho com água ou enxágue bucal conseguirá remover alguns resíduos e também algumas bactérias, é verdade, mas não será suficiente para remover substrato de locais onde somente a escova e o fio dental podem alcançar. Não ajuda a prevenir, no fim das contas.

Patricia - Quanto a crianças com dente de leite, elas são mais ou menos suscetíveis a ter cárie?

RAMSSÉS:

Tão suscetíveis quanto os adultos. Agora, os dentes permanentes possuem, em sua composição, uma quantidade de minerais maior do que os dentes decíduos, o que pode implicar em uma maior resistência destes ao processo carioso. Mas é importante ressaltar que a cárie é uma doença multifatorial e a resistência do hospedeiro, além de todos aqueles fatores predisponentes e agravantes já citados, também tem que ser levada em consideração. Pela Literatura existente, posso te afirmar com toda certeza que o fator de maior influência é mesmo a dieta rica em carboidratos.


Márcio - A cárie está relacionada ao tipo de carboidrato? Por exemplo se eu ingerir arroz e pães integrais ou seja, carboidratos complexos, também irá causar cárie?

RAMSSÉS:

As bactérias cariogênicas conseguem metabolizar praticamente todos os tipos de carboidratos, principalmente os complexos. É através da fermentação destes sacarídeos e posterior liberação de ácidos (ácido lático) neste processo que a parede dentária começa a ser afetada. As bactérias reúnem-se em forma de colônias, principalmente as do Gênero Estreptococos e Estafilococos, formando o chamado Biofilme, que consegue aderir à parede do dente, iniciando a lesão.

Janaína - Sei que existem vários tipos de adoçantes, há os que causam e os que não causam cáries?

RAMSSÉS:

Como já foi dito, um fator isolado não é suficiente para causar a cárie; é uma doença onde vários fatores atuam em conjunto para o início do processo. E, como também já foi dito, os adoçantes artificiais (como o aspartame) não fazem parte da cadeia alimentar das bactérias da cárie, que são apreciadoras de carboidratos como a sacarose para a sua sobrevivência. Os adoçantes são metabolizados de outra forma por estas bactérias e não implicam em risco considerável.

Monalisa - Se eu fizer a higiene bucal, no final do dia mesmo assim aparecerá? Ou é necessário mesmo após cada refeição? Não tenho tempo rs Bjos

RAMSSÉS:

É necessária a escovação após as refeições sim. A composição da pasta dental (flúor, aglutinantes, abrasivos, etc.) tem que ser periodicamente colocada em contato com a superfície dental para que venha a surtir o efeito desejado na prevenção da doença. Mas o mais importante talvez seja a técnica da higienização; uma pessoa que escove 5 vezes ao dia de forma incorreta e insuficiente, talvez tenha mais risco de adquirir a doença do que quem escove 2 vezes de forma correta. Existem diversas técnicas, inclusive difundidas através da Literatura, pela internet.

Juraciara - Eu uso aparelho, no inicio eu tinha hábito de no final de casa refeição escovar direitinho, mas agora estou meio desleixada, até porque com aparelho é mais complicado limpar, você acha que quando eu tirar terei muitas cáries?

RAMSSÉS:

Fatalmente. O aparelho ortodôntico cria superfícies onde facilmente as bactérias ficam aderidas e onde pode se originar, com a mesma facilidade, o processo carioso. Retome os antigos hábitos de higiene bucal e evite problemas futuros.

Bruno - Existem alimentos que podem minimizar o surgimento de cáries? Flws

RAMSSÉS:

Sim. Alimentos com pequenas quantidades ou livres de carboidratos (açúcar), que é a principal fonte de alimentação das bactérias causadoras da cárie. Carne, legumes e verduras são bons exemplos.

Não precisamos deixar simplesmente de ingerir carboidrato (até porque sem glicose não sobrevivemos), apenas diminuir a índices toleráveis sua ingestão.

Flávia - O tempo de escovação exerce algum efeito?

RAMSSÉS:

Sim. Como já foi respondido anteriormente, o tempo mínimo e, principalmente, a técnica correta de escovação, são fundamentais.

djowup - falar em fio dental, que eu saiba a natureza produz até um cordão que dá não sei aonde, mas que serviria como fio dental, mas além de maçãs e peras , ainda não descobri nada natural que limpa os dentes como uma bela escova...agora como os índios cuidavam de seus dentes, isso é mistério pra mim...

RAMSSÉS:

Os indígenas sempre tiveram suas técnicas de higienização bucal e arte dentária. Medicina natural sempre foi utilizada por eles para anular possíveis sensações dolorosas ou mesmo como forma de prevenir doenças bucais ou aromatização oral.

A arqueologia mostra crânios de indígenas com dentes bem implantados e com poucas cáries, sinal de que cuidavam bem dos dentes. O desgaste sim é bem acentuado nestes achados, justificado pela dieta rica em alimentos duros e abrasivos.

“A tribo kuikuro, do norte do Mato Grosso, preenchia cavidades dentárias com resina de jatobá aquecida, que cauterizava a polpa e funcionava como uma obturação, depois de endurecida.”


domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dieta e cárie - Tire suas dúvidas!


Em breve realizarei mais uma entrevista relacionada a Nutrição e saúde bucal. Quem irá se disponibilizar para essa entrevista será Ramsés de Souza Silva, 26 anos, Odontólogo formado pela universidade federal do Maranhão - UFMA.

Envie suas perguntas! Nossa entrevista será publicada sábado, dia 14!


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fórum Brasileiro de Nutrição está no ar!



O Fórum Brasileiro de Nutrição, de minha autoria, é um espaço criado pra reunir não só acadêmicos de Nutrição, Nutricionista e Técnicos, como também todos profissionais da saúde e pessoas interessadas em Nutrição.

Faça o seu cadastro e participe do melhor fórum de Nutrição online!

CLIQUE AQUI!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Açúcar mascavo x Açúcar branco


O interesse da população pelo consumo de açúcar mascavo, conhecido também como açúcar orgânico e açúcar preto, vem despertando uma série de dúvidas com respeito ao seu valor nutricional e a suposta vantagem nutricional em relação ao açúcar branco ou refinado. Uma simples procura em um site de busca sobre açúcar mascavo e refinado nos fornece mais de 140.000 páginas contendo informações que visam esclarecer as dúvidas de muitos. Mas quão precisas são tais informações? O açúcar mascavo é mais saudável que o açúcar branco? Preciso substituir o açúcar branco pelo mascavo? Há benefícios no consumo do açúcar mascavo em diabéticos?

Primeiramente é necessário entender o que é açúcar e qual a sua importância para a nutrição humana. Bioquimicamente, açúcar é um grupo de glicídios solúveis em água: sacarose, maltose, lactose, frutose, glicose e etc. Para o dicionário Aurélio: açúcar - [do árabe as-sukkar, 'açúcar', possivelmente do grego sákcharon, sacarose] 1- Produto alimentar fabricado industrialmente, de sabor doce, solúvel em água, extraído, sobretudo da cana-de-açúcar e da beterraba, também chamada de sacarose. 2- Qualquer de certos carboidratos simples, geralmente, solúveis em água e de sabor adocicado, como a sacarose, a glicose e a frutose.

Figura: Estrutura química da sacarose

Resumindo, açúcar é um grupo de compostos com características semelhantes e com sabor adocicado. O açúcar que compramos no supermercado é sacarose, um dissacarídeo formado apartir da condensação de dois monossacarídeos: glicose + frutose no qual forma sacarose. Para a nutrição humana, a sacarose, moléculas do açúcar, quando digerido pelo trato gastrintestinal, voltam a ser glicose e frutose. Parte dessa glicose é usada pelas nossas células pra gerar energia, e o restante não utilizado é convertido em gordura e armazenado no tecido adiposo.

Mas isso está relacionado ao açúcar branco ou mascavo? Os dois. Mas vamos então as diferenças. O açúcar mascavo é obtido diretamente do caldo de cana-de-açúcar depois de extraído. Tal processo dispensa aditivos químicos para branqueamento e clarificação, no qual permanece uma característica dourada ou marrom-escura, podendo variar com a qualidade da cana-de-açúcar. O açúcar branco, de mesa, ocorre o oposto, pois recebe um processo de refinamento, sendo removida a garapa para que seja obtido o clareamento. Para melhor compreensão das diferenças nutricionais, composição química, quantidade de glicídios e calorias, segue abaixo uma tabela com informações para ambos os tipos de açúcar:


Fonte: diabetes.org

Como mostra a tabela acima, o açúcar mascavo mantém o teor de vitaminas e minerais, isto acontece porque o mesmo não passa por processo de refinamento, porém a diferença no teor calórico e de glicídios não são tão significativas. Destacando-se o mineral cálcio, magnésio, fósforo e potássio o teor é bem maior no açúcar mascavo. Porém tal diferença torna o consumo de açúcar branco prejudicial e o açúcar mascavo benéfico? Não existe nenhum estudo que comprove danos a saúde causada pelo refinamento do açúcar branco e as necessidades de minerais (ausente no açúcar branco e presente no mascavo) podem ser supridas por outras fontes alimentares e não somente com açúcar mascavo.

Em relação ao diabetes, não há estudos que comprovem que a glicose do açúcar mascavo eleva o índice glicêmico mais rápido que o refinado, portanto qualquer diabético que queira substituir o açúcar branco pelo mascavo, devem usar as mesmas recomendações que açúcar branco.

Para ambos os casos, uma consulta com um profissional nutricionista é ideal para a elaboração de um plano alimentar quantitativa e qualitativamente adequados em relação a glicídios, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais ao seu perfil fisiológico. Portanto, do ponto de vista nutricional, o açúcar mascavo e branco não são significativamente diferentes.

sábado, 21 de junho de 2008

O que você conhece sobre a síndrome metabólica? Entrevista com Dr Sérgio Girão Barroso





A Síndrome metabólica tem como característica a associação de fatores de risco para as doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames cerebrais), vasculares periféricas, obesidade abdominal e diabetes. Tendo como base a resistência à insulina (Quanso as células não recebem sinais da insulina), o que obriga o pâncreas a produzir mais esse hormônio. É importante ter conhecimento que a associação da Síndrome Metabólica com doença cardiovascular, vem aumentando a mortalidade geral em cerca de 2 vezes e a cardiovascular em 3 vezes.

Abaixo segue a entrevista com Sergio Girão Barroso, Nutricionista graduado pela UERJ, com residência em nutrição clínica médica, Mestrado em fisiopatologia na UERJ, Doutorado em fisiopatologia na UERJ. Atuando atualmente como professor substituto do instituto de Nutrição pela UERJ.

Obrigado a todos por enviarem suas dúvidas e perguntas!

Raoni: O que é síndrome metabólica?

Sérgio: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os portadores de Síndrome Metabólica são indivíduos com diabetes potencial, sendo manifestado por uma intolerância à glicose relacionada à resistência à insulina. Ainda de acordo com a OMS, a partir do momento em que essas pessoas desenvolvem alguns componentes de risco cardiovascular combinados, apresentam uma entidade clínica única, e o s pacientes então são considerados portadores de síndrome metabólica. Além da intolerância À glicose e da resistência à insulina. Outros componentes incluem obesidade central, dislipidemia (alterações de triglicerídeos e colesterol), hipertensão e microalbuminúria.

(Pergunta do leitor) Estou 32 anos, e tenho sobrepeso. Não tenho diabetes, mas vários membros da minha família desenvolveram diabetes. Tenho riscos de contrair síndrome metabólica? (Elizabete Uberaba– MG)

Sérgio: Elizabete, parece que você apresenta um risco familiar sim. Eu precisaria saber o grau de parentesco e o tipo de diabetes destes seus familiares. Você diz estar com sobrepeso, porém eu precisaria ter as medidas de peso e altura para calcular o quão acima do peso você está, além da circunferência da cintura. Assim teríamos mais parâmetros para avaliar o seu risco. Mas para o diagnóstico completo, precisaríamos, pelo menos, de exames laboratoriais, como Glicemia de jejum, níveis sangüíneos de triglicerídeos, colesterol total e frações (LDL e HDL), além de valores de pressão arterial.

(Pergunta do leitor) Que tipo de exames eu devo fazer para descobrir se tenho essa doença? Tenho sobrepeso. (Humberto Belém – PA)

Sérgio: Humberto, assim como eu já havia comentado com a Elizabete na pergunta anterior, porém eu precisaria ter as medidas de peso e altura para calcular o quão acima do peso você está, além da circunferência da cintura. Assim teríamos mais parâmetros para avaliar o seu risco. Mas para o diagnóstico completo, precisaríamos, pelo menos, de exames laboratoriais, como Glicemia de jejum, níveis sangüíneos de triglicerídeos, colesterol total e frações (LDL e HDL), além de valores de pressão arterial. Querendo complementar seus exames, exames de urina (para avaliar sedimentos e perda de proteínas pela urina). Caso seja possível, mensurar os níveis de insulina e glicose em jejum e pós-prandiais seria de grande utilidade.

(Pergunta do leitor) Eu já li que o ácido úrico elevado representa um fator de risco para adquirir síndrome metabólica, isso é verdade? (Claudia Natal – RN)

Sérgio: Claudia, os níveis de ácido úrico estão sim associados com os outros parâmetros da síndrome metabólica. Porém pode haver outras condições, não relacionadas à síndrome metabólica que cursam com aumentos dos níveis de ácido úrico. É preciso prestar atenção se existe a utilização de alguma medicação, com diuréticos, que podem aumentar os níveis, assim como a alimentação pode influenciar nessas concentrações.

(Pergunta do leitor) É uma doença de adultos, ou crianças também podem adquirir? Minha filha tem 11 anos, está com sobrepeso, mas já estamos tratando disso, mas confesso que desconhecia isso. (Fátima Criciúma – SC)

Sérgio: Fátima, infelizmente as crianças também não estão livres de apresentar síndrome metabólica. De novo, eu precisaria de medidas de peso e altura, além da circunferência de cintura, para avaliar o risco. Lembrar que parâmetros de peso, altura, índice de massa corporal e circunferências e pressão arterial nesta idade são diferentes dos parâmetros considerados para adultos.

(Pergunta do leitor) Para diagnosticar e tratar deve-se recorrer a quem, Nutricionista, Endocrinologista, ou outro profissional? (Damião Palmas - TO)

Sérgio: Damião, para o diagnóstico o melhor especialista seria um endocrinologista. Se o tratamento for somente não dietético, e isso vai depender dos níveis de pressão arterial, triglicerídeos e glicemia, consultas com nutricionista serão necessárias com freqüência, além das consultas, já não com tanta freqüência com um endocrinologista. Caso haja necessidade de tratamento farmacológico, além das consultas com nutricionista, as consultas com o endocrinologista aumentarão de freqüência. Para um melhor resultado, a ajuda de um profissional de educação física se torna essencial.

(Pergunta do leitor) O fato de eu ter sobrepeso, já é uma indicação que tenho síndrome metabólica? Beijos ( Raymara Santos - SP)

Sergio: Raymara, eu precisaria saber o quanto acima de peso você está, além de outros parâmetros, como circunferência de cintura, níveis de glicose, triglicerídeos, colesterol total e frações (LDL e HDL) e níveis de pressão arterial.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Um agradável e-mail que recebi do website português alimentacaosaudavel.org


(clique na imagem para ir ao site)

"Tenho navegado na Internet em vários blogs sobre saúde, práticas de vida saudáveis e nutrição e o seu chamou-me a atenção. Gostei bastante do facto de ser um blog com uma excelente qualidade de conteúdos e de informação. Por isso, desde já os meus sinceros parabéns."

Esse é um trecho que retirei do e-mail que tive o prazer em receber, do Ricardo Castanho, webmaster do Alimentação Saudável, um projeto desenvolvido e composto de profissionais portugueses com guia útil sobre alimentação saudável e nutrição nas várias fases da vida.

No site alimentacaosaudavel.org, podemos saber como fazer deliciosas receitas saudáveis e conhecer a quantidade de calorias por dose, contém um guia nutricional de alimentos, com informação detalhada sobre alguns dos alimentos mais saudáveis do mundo e os seus principais benefícios para a saúde. Além de tudo, contém uma seção de artigos e um noticiário com todas as novidades atualizades no campo da alimentação, nutrição e saúde, para nos manternos atualizados.

Portanto, o site http://www.alimentacaosaudavel.org/ será adicionado aos links do blog na coluna esquerda, assim os visitantes tirarão maior proveito do que procuram.

Muito Obrigado Ricardo e equipe do Alimentação saudável!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Como germinar grãos e sementes



Através da germinação dos grãos e sementes em casa, é possível ficar independente do comércio que muitas vezes representa um perigo, pelo uso de excessivo de aditivos químicos. E não para por aí. São apropriados em situações de doença por carências (raquitismo, escorbuto, anemia) ou por degenerescência (senilidade, debilidade, instabilidade nervosa), em caso de problemas alérgicos (asma, dermatoses) e digestivos, no emagrecimento extremo, na esterilidade, na impotência, na gravidez, em situações de cancro e na convalescência de operações.Não é necessário um extenso canteiro para plantar, com um pequeno espaço, seja no quintal ou um pequeno jardim em uma área de sol é possível germinar alimentos que forneçam todos os aminoácidos, carboidratos, gorduras, vitaminas, oligoelementos, enzimas e outros nutrientes essenciais para o nosso organismo. Portanto, mãos a obra:

- Colocar de uma a três colheres de sopa de grão num vidro e cobrir com água pura sem cloro.

- Deixar de molho por uma noite

- Cobrir o vidro com um pedaço de filó e prender com um elástico. Despejar água e enxaguar bem sob a torneira.

- Colocar o vidro inclinado num escorredor, co ma boca para baixo, e cobrir com um pano.

- Enxaguar pela manhã e pela noite

Após isso, você verá os grãos germinar em um perido que varia de dois a quatro dias. Os mais fáceis de germinar são agrião, alfafa, centeio, girassol, feijão e trigo. Podem ser moídos e batidos no liquidificador com um pouco de água e ser usados em diversas preparações como na forma de sucos, saladas ou recheio de sanduíches. Além das vitaminas e fitobioquímicos, cada 100 gramas de sementes germinadas contém:

Carboidratos 40g

Proteínas 40g

Lipídios 10g

Fibras 20g

Cálcio 30,3mg

Ferro 10mg

Sódio 60mg

As sementes que podem ser usadas:

Os cereais integrais: Trigo, centeio, aveia e cevada...
As leguminosas: Soja, lentilha, grão, tremoço, ervilha...
As crucíferas: Agrião mostardela, rabanetes,...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Obesidade Infantil - A prevenção é o melhor de todos os tratamentos


Quando iniciar o tratamento de obesidade em crianças? Sem dúvida, esta é uma pergunta feita por todos aqueles que têm uma criança ou um adolescente obeso na família. O ideal antes de tudo, é que a família e os profissionais da saúde (Pediatra, psicólogo e Nutricionista) tomem medidas antes que a obesidade se instale.

Pais ou parentes muito próximos que são obesos, sedentários, sem boa educação alimentar, representam um fator de risco para as crianças se tornarem obesas, seja pelo exemplo ou por incluir na própria criança maus hábitos alimentares ou por genética . Portanto, a maneira mais eficaz de vencer a obesidade infantil é evitar que ela se manifeste. Como isso pode ser feito?



Visando esta causa, um programa de combate ao colesterol alto e a obesidade está em desenvolvimento no Canadá. Nesse trabalho, a prevenção já começa na vida intra-uterina. Faz parte do atendimento pré-natal de rotina trabalhar com as gestantes, visando boa educação alimentar. O programa acredita que ao diminuir a ingestão de alguns tipos de gordura durante a gravidez, diminui as chances de o bebê vir a desenvolver aterosclerose e obesidade. De fato, a alimentação antes e durante a gravidez, é crucial no futuro do bebê.

E quando a obesidade ja é uma realizade? É comum os familiares e até mesmo profissionais falarem que o regime é desnecessário, uma vez que a criança vai crescer e conseqüentemente emagreceria. Para muitos familiares o tratamento de emagrecimento é coisa para adulto, que a criança em dieta fica fraca, doente, anêmica ou não cresce. Este é um conceito errôneo.

Segundo os estudos mais completos, o melhor momento é no período pré escolar, visto que é uma fase em que a criança é facilmente monitorada e os maus hábitos não são profundamente enraizados. Quanto mais tarde começar, mais dificuldades sobrevirão ao tratamento. Além disso, chegar à adolescência, obeso, representa um risco de 70% a 80% de chances de se tornar um adulto obeso.

- O objetivo maior do tratamento da obesidade infantil não é emagrecer a criança e sim fazê-la parar de engordar, crescendo na estatura, o máximo possível. E principalmente, modificar o seu estilo de vida e necessariamente o de toda família.

- Quando o excesso de peso for elevado ou já existir complicações físicas e até mesmo emocionais, é necessário ajustar o índice de massa no corpo.

- Crianças até 7 anos de idade, com sobrepeso ou obesidade sem complicações, podem crescer sem engordar, mas se houver hipertensão, dislipidemia, problemas ortopédicos, respiratórios, diabetes ou transtornos emocionais , elas tem que perder peso.

- Crianças acima de 7 anos, com sobrepeso sem complicações, também podem crescer sem engordar, porém se forem obesas ou mesmo se tiverem sobrepeso, devem emagrecer.

Quando há interferências no funcionamento da família, algumas podem sentir-se ameaçadas. Essa dificuldade em modificar velhos hábitos familiares é um dos maiores obstáculos enfrentados.


Outra medida vital é esclarecer os reais objetivos do tratamento as crianças. É bastante comum crianças em anamnese com psicólogo ou anamnese alimentar com nutricionista relatar que está ali para realizar o tratamento por que o pai ou mãe a levou. A motivação é fundamental nesse processo, por que nenhuma criança terá possibilidade emocional para iniciar um tratamento tão difícil como o da obesidade com falta de motivação. Ao inicio do tratamento, motivada e identificando razões para emagrecer, ela torna-se mais autônoma, resolvendo os problemas que virão com tranqüilidade.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Brasil participa de programa internacional de certificação de produtos alimentícios


O selo Minha Escolha já está estampado em mais de 2 mil produtos em mais de 50 países, inclusive no Brasil. O programa (Idealizado pela Choices International Foundation, sediada em Bruxelas, na Bélgica) visa oferecer aos seus consumidores a facilidade de identificar, por meio de um selo, produtos que seguem critérios pré-determinados por um comitê científico internacional. No Brasil, produtos das empresas Unilever, Perdigão, Batavo e Nutrimental já receberam o selo. Qualquer empresa de alimentos do varejo, indústria ou food service pode se inscrever para fazer parte do programa.

Os produtos selados estão de acordo com os critérios definidos pelo programa em relação à quantidade de sal, açúcar, gorduras saturadas e gorduras trans. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), esses nutrientes são causadores de doenças crônicas se consumidos em excesso.


O selo é inserido na parte frontal das embalagens auxiliando na identificação das opções de alimentos e bebidas mais saudáveis dentre aquelas disponíveis no momento da compra. Além do selo, os produtos certificados contém rótulos explicativos, com informações completas sobre os nutrientes de sua composição, bem como as quantidades médias necessárias diariamente.


O objetivo de estimular as indústrias alimentícias a aprimorar a composição de seus produtos, aumentando a oferta de alimentos e bebidas mais saudáveis, incentivar a mudança comportamental dos consumidores para priorizar escolhas mais saudáveis. Os critérios avaliados para a obtenção do selo levam em conta as recomendações dietéticas de 20 países, bem como as recomendações da OMS. O comitê científico que avalia os produtos interessados em levar o selo é internacional e independente. Formado por especialistas internacionalmente reconhecidos nas áreas de saúde e nutrição, é também responsável pela revisão dos critérios de acordo com os últimos avanços na ciência da nutrição e na tecnologia dos alimentos, assegurando a constante evolução do programa e dos produtos participantes.

Atualmente mais de 90 empresas já participam do programa em todo o mundo.

Referência(s)

Choices International Foundation. What is Choices? Disponível em: http://www.choicesinternational.org/index.php?option=com_content&task=view&id=30&Itemid=53. Acessado em 09/04/08.

Unilever. Programa Minha Escolha. Disponível em: http://www.unilever.com.br/Our_Values/nutritionhygienepersonalcare/Nutricao/programa_minha_escolha.asp. Acessado em 09/04/08.

Programa Minha Escolha. Disponível em: http://www.programaminhaescolha.com.br/

http://www.nutritotal.com.br/

terça-feira, 22 de abril de 2008

Os refrigerantes ganham mais consumidores no Brasil



O IBGE contastou que entre 2002 e 2003, o consumo de refrigerantes aumentou 400%, de 1974-1975 a 2002-2003, entre a população brasileira. A participação da bebida na dieta é 5 vezes maior na classe de maiores rendimentos do que na classe de menores rendimentos.

Em meio a esse dado, eu estava navegando no youtube e me deparei com um video curioso. "REVELAÇÕES BOMBÁSTICAS SOBRE A COCA-COLA". Em que o presidente da empresa de refrigerantes Dolly, faz "revelações" sobre a fórmula da coca-cola.

É engraçado um presidente de uma empresa de refrigerantes falar do prejuizo que o consumo de de outro refrigerante (coca cola) causam à saúde, dá até pra aplicar ao ditado "O sujo falando do mal lavado". Mas vale resaltar que seus argumentos contra a coca-cola em sí, baseiam-se em aditivos "especiais" adicionados a esta bebida, no qual não é encontrado nos demais refrigerantes, inclusive o Dolly. Se comprovados, só irá constatar o que muitos já sabem, inclusive os consumidores nato da coca cola, que diga-se de passagem se auto-intitulam "Cocacólatras". Lembrei até de um amigo meu: "Eu tomo coca-cola sempre, todo dia, e não vejo nenhum efeito errado no meu organismo".

A verdade é que essas bebidas gasosas (Refrigerantes) nunca foi e nunca será uma necessidade do nosso organismo, e sim, não fazem bem a saúde. De acordo com a nutricionista Milena Lima, os estudos mostram uma associação positiva entre bebidas à base de cola e fraturas ósseas em meninas fisicamente ativas. Em estudo grego, o aumento do consumo de refrigerantes do tipo de cola foi associado positivamente com aumento do risco de fraturas ósseas em crianças de 7-14 anos. É sugerido que esses achados estejam associados com a relação cálcio-fósforo na dieta, tendo efeitos deletérios no osso. Mas é pouco provável que seja só esse problema.

Para a nutricionista clínica e psicomotricista Elizabeth Duarte Mota em seu livro "Alimentação natural", refrigerantes sabor cola contém cafeína em dose suficiente para provocar excitação em crianças e adultos. "Elas prejudicam o sistema nervoso e imunológico, tiram o sono ou afetam sua qualidade, interferem na capacidade de concentração e atenção... provocam gases" diz ela.

Conversando com meu amigo Yehoshua Maor, Imperatrizense e farmacêutico-bioquímico, mestre em Química Médica pela Hebrew University, de Jerusalém - Israel, e (Ph. D.) em Química Médica e Terapêutica Experimental, perguntei a ele por que não foi realizado até hoje uma pesquisa que comprove de fato os prejuizos da coca cola no organismo humano. Sua resposta foi simples e direta: "Por que quem pagaria por tal pesquisa? A pepsi? Todas essas bebidas gasosas são altamente prejudiciais, mas o povo não viveria mais sem ela... os governos recebem muitos impostos dessas companhias, então a coisa corre solta... salve-se quem puder."

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Edulcorantes (Adoçantes dietéticos)



As indústrias alimenticias têm investido em um mercado promissor: o dos adoçantes. Nesse ano (2008), deve chegar ao mercado americano o Cweet, também extraído de um planta e com capacidade adoçante mil vezes mais poderosa do que a sacarose (açúcar comum).
Os edulcorantes (ou adoçantes dietéticos) são substâncias capazes de substituir o açúcar de mesa, ou seja, adoçar determinado alimento sem provocar no organismo efeitos indesejáveis como obesidade, cárie dental e elevação da taxa de glicose no sangue daqueles que são diabéticos (glicemia).Os adoçantes se popularizaram nos Estados Unidos na década de 60. Aqui no Brasil, na década de 80 a legislação brasileira classificava os adoçantes como produtos fármacos e eram comercializados sob orientação médica. Inclusive, eram encarados pela pela população como exlusivo à diabéticos. Com o tempo, ainda no final da década de 80, com as mudanças na legislação, houve uma reformulação na classificação dos adoçantes e estes passaram a ser comercializados nas prateleiras dos supermercados, onde toda população tem acesso. Então o que antes era associado como produto de diabético passou a fazer parte da alimentação de vários tipos de pessoas.

Legislação


A Secretaria Nacional da Vigilância Sanitária editou quatro novas portarias que tratam da fabricação e comercialização de adoçantes. Com a nova legislação, passou a ser obrigatório constar na embalagem desses produtos, de modo legível, algumas informações básicas ao consumidor, tais como:

  • a designação genérica de "adoçante de mesa" para todos os produtos e "adoçante dietético" para os que não contém sacarose, frutose ou glicose;
  • a informação "contém edulcorante(s) natural(is) [ou artificial(is)]" seguida do nome do(s) edulcorante(s);
  • a adverténcia em negrito: "Diabéticos: contém ...g de ... (sacarose, glicose dextrose ou frutose)", quando o produto não for dietético;
  • a informação em destaque e em negrito "Fenilcetonúricos: contém fenilalanina" em produtos que contenham aspartame;
  • a declaração, por extenso, da classe e do nome genérico do(s) aditivo(s) intencional(is) ao produto; · o valor energético expresso em kcal (quilocalorias) das medidas (gotas, envelopes, etc.);
  • os adoçantes devem ser utilizados conforme orientação do fabricante, ou seja, na dose segura para a saúde. Deve-se observar também a quantidade consumida de refrigerantes, sucos e doces diet/light. O ideal é revezar o tipo de adoçante consumido.

Os adoçantes dietéticos podem ser divididos em dois grupos distintos: não nutritivos (sacarina, ciclamato, acessulfame-k, sucralose, esteviosídeo) - fornecem doçura acentuada, não contêm calorias e são utilizados em quantidades muitos pequenas; nutritivos (frutose, sorbitol, aspartame) - fornecem energia e textura aos alimentos, geralmente contêm valor calórico semelhante ao açúcar e são utilizados em quantidades maiores em relação aos não nutritivos. A classificação abaixo, relaciona as características dos adoçantes dietéticos, de acordo com a classificação que divide os edulcorantes em artificiais (produzidos sinteticamente) e naturais (encontrados na natureza).

Surpreendidos por uma nova pesquisa


Um estudo divulgado por uma universidade americana surpreendeu milhões de pessoas que consomem os adoçantes.

Para realizar o estudo, os cientistas acompanharam a alimentação de 17 ratos. Nove receberam iogurte adoçado com sacarina e oito com açúcar. Depois do iogurte, os animais receberam a dieta normal.


Após cinco semanas, os ratos que consumiram a sacarina ganharam 88 gramas, enquanto os que ingeriram glicose tiveram um aumento de peso de 72 gramas - uma diferença de mais de 20%.


Os ratos que tomaram o iogurte com a sacarina consumiram mais calorias e tiveram aumento de 5% na taxa de gordura do corpo, de acordo com o estudo.


"Os resultados claramente indicam que consumir alimentos adoçados com sacarina pode levar a um aumento de peso e da taxa de gordura maior do que o consumo de açúcares calóricos", diz o estudo.


Segundo Susan Swithers, uma das autoras da pesquisa, as experiências em laboratório indicam ainda que outros adoçantes artificiais como o aspartame e o acessulfame K, que oferecem o gosto doce, podem ter o mesmo efeito da sacarina.


Como era de se esperar, esse estudo gerou reações da indústria alimentícia. Um porta-voz da Fundação Britânica de Nutrição afirmou que os resultados são "interessantes", mas não provam que os adoçantes podem ser prejudiciais nas dietas dos humanos. Para a organização, o tema requer mais pesquisas.


Para a médica Elizabeth Ayoub, especialista em alimentação funcional, alguns adoçantes, em especial o aspartame, podem trazer uma série de efeitos colaterais se consumidos em excesso. Ela frisa que, se consumido com moderação, o aspartame é seguro. Mas, em algumas pessoas, pode provocar alergias e hipotireoidismo, enfraquecer o sistema imunológico e afetar a memória e a concentração.


“Gestantes não devem consumir aspartame de forma alguma, já que a substância pode atrapalhar o desenvolvimento cognitivo dos bebês - alerta Elizabeth. A médica também explica que o aspartame nunca pode ser aquecido acima dos 30 graus, pois, a partir dessa temperatura, se converte em ácido fórmico, mesma susbtância usada para matar formigas e tóxica ao nosso organismo.” Diz ela


A nutricionista Patrícia Davidson Haiat, especialista em nutrição funcional pelo Insitituto de Medicina Funcional dos Estados Unidos, relata:


“Em excesso, os adoçantes agem como substâncias tóxicas no corpo. Além disso, os produtos adoçados artificialmente contêm conservantes, corantes e outros aditivos que geram alergias alimentares e até obesidade, pois quem está com o organismo sobrecarregado de toxinas tem mais facilidade para acumular gordura. Pesquisas também mostram que os adoçantes atrapalham o corpo a identificar a sensação de saciedade, ou seja, a pessoa, mesmo de dieta, acaba comendo mais.”


Conhecendo as propriedades dos adoçantes dietéticos, é possível ter mais facilidade em escolher o que apresenta mais vantagens. No entanto, temos que ter em mente que o mais importante é a utilização consciente do produto, não como um agente isolado em busca de um resultado milagroso e sim, como integrante de uma alimentação balanceada que contribua para a saúde.


O que se pode concluir previamente com respeito ao uso dos adoçantes é que ainda tem muito que se pesquisar e descobrir sobre possíveis efeitos respectivos mecanismos dos adoçantes artificiais no organismo. O certo, é que o seu consumo deve ser mdoerado, portanto devemos evitar o maximo ingerir alimentos diets como por exemplo refrigerantes e balas.


Banner apresentado em uma exposição no Hall da Unisulma, contendo as principais características dos edulcorantes. (Feito por Eu)



Frutose

  • É um adoçante natural e encontrado nas frutas e no mel;
  • Contém 4 kcal por grama;
  • Causa cáries;
  • Inicialmente seu metabolismo não depende da insulina. Estudos recentes comprovam que a frutose, quando ingerida junto das refeições não altera a glicemia;
  • Poder adoçante é 170 vezes maior que o açúcar;
  • Seu alto poder adoçante torna a frutose um adoçante pouco calórico, uma vez que são necessárias dosagens pequenas para atingirmos um sabor adocicado;
  • Quando submetida ao calor a frutose derrete, porém mantém o seu sabor;
  • Sabor é semelhante ao açúcar;
  • Apresentação em pó;
  • Uso industrial: gelatinas, pudins, geléias;
  • Consumo máx/dia: Não há limite.

Observações:
Estudos recentes mostram que a frutose ingerida juntamente com as refeições não altera a glicemia. Pode ser consumida com moderação por diabéticos. O consumo excessivo pode causar aumento de triglicérides.


Xylitol, Sorbitol e Manitol
São álcoois de açúcar obtidos pela redução da glicose (sorbitol) e frutose (manitol).

Xylitol

  • É obtido pela hidrogenação da xilose;
  • Contêm 4 kcal por grama;
  • Não causam cáries e por isso são largamento utilizados na produção de goma de mascar;
  • São utilizados por indústrias na elaboração de produtos dietéticos.

Sorbitol

  • Origem natural;
  • Encontrado em frutas e algas marinhas;
  • Poder adoçante: metade do poder do açúcar (0,5 a 0,7);
  • Valor Calórico: 4 kilocal/g;
  • Sabor levemente refrescante;
  • Favorece a formação de cáries;
  • Estável em altas temperaturas;
  • Apresentação: líquido, sempre associado a outros edulcorantes;
  • Uso industrial: bebidas, biscoitos, gomas de mascar, balas, chocolates.

Observações:
Doses acima de 10-70 mg produzem efeito diurético e laxante. Podem ser consumidos por diabéticos.

Manitol

  • Origem natural.
  • Encontrado em frutas e algas marinhas;
  • Poder adoçante: metade do poder do açúcar (0,45);
  • Valor Calórico: 2,4 kilocal/g;
  • Sabor levemente refrescante;
  • Não favorece a formação de cáries;
  • Estável em altas temperaturas;
  • Apresentação: somente para uso industrial, geralmente associado ao sorbitol;
  • Uso industrial: bebidas, biscoitos, gomas de mascar, balas, chocolates;
  • Consumo máx/dia: 50 a 150 mg/kg de peso.

Observações:
Consumo em excesso tem efeito laxante.

Adoçantes Não Calóricos

Acessulfame-K

  • Origem artificial;
  • Descoberto em 1967 e aprovado pela FDA em 1988;
  • É um sal de potássio;
  • Poder adoçante: 180 - 200 vezes maior que o açúcar;
  • Não fornece calorias;
  • Doçura de rápida percepção, sem sabor residual;
  • Não favorece a formação de cáries;
  • Estável em altas temperaturas;
  • Apresentação: em pó ou líquido, geralmente associado a outros edulcorantes;
  • Uso industrial: bebidas, chocolates, geléias, produtos lácteos, gomas de mascar panificação;
  • Consumo máx/dia: 9,0 mg/Kg de peso;

Observações:
Não é metabolizado pelo organismo, sendo eliminado tal como foi absorvido. Pessoas com restrição severa de potássio devem observar a quantidade consumida de acessulfame-k.


Aspartame

  • Origem artificial;
  • Descoberto em 1965;
  • Produzido a partir dos aminoácidos fenilalanina e ácido aspártico;
  • Poder adoçante: 180 - 220 vezes maior que o açúcar;
  • Valor Calórico: 4 kilocal/g;
  • Sabor semelhante ao açúcar;
  • Não favorece a formação de cáries;
  • Instável em altas temperaturas;
  • Deve ser acrescido às preparações depois de retiradas do fogo;
  • Apresentação: em pó branco ou líquido branco, associado ou não a outros edulcorantes;
  • Uso industrial: Bebidas, sorvetes, produtos lácteos, biscoitos, pudins, gelatinas, balas;
  • Consumo máx/dia: 40 mg/kg de peso;

Observações:
Não é indicado para portadores de fenilcetonúria (incapacidade do organismo de metabolizar a fenilalanina), geralmente diagnóstica ao nascimento. Por prevenção, recomenda-se que a gestante evite o consumo de aspartame ou consuma-o em pequenas doses.

Ciclamato

  • Origem articifial;
  • Descoberto em 1940;
  • Produzido a partir de um derivado do petróleo;
  • Poder adoçante: 30 - 50 vezes maior que o açúcar;
  • Não fornece calorias;
  • Sabor residual amargo;
  • Não favorece a formação de cáries;
  • Estável em altas temperaturas;
  • Apresentação: Em pó ou líquido, sempre associado à sacarina ou outros edulcorantes;
  • Uso industrial: bebidas, produtos lácteos, pudins, gelatinas;
  • Consumo máx/dia: 11 mg/kg de peso;

Observações:
É um dos mais baratos no mercado. Pessoas com hipertensão e insuficiência renal devem observar o consumo, devido ao sódio na composição.

Sacarina

  • Origem Artificial;
  • Descoberto em 1870 e utilizado desde 1900;
  • Produzido a partir de um derivado do petróleo;
  • Poder adoçante: 200 - 700 vezes maior que o açúcar;
  • Não fornece calorias;
  • Sabor residual amargo metálico;
  • Não favorece a formação de cáries;
  • Estável em altas temperaturas;
  • Apresentação: em pó ou líquido, sempre associado ao ciclamato ou outros edulcorantes;
  • Uso industrial: bebidas, produtos lácteos, pudins, gelatinas;
  • Consumo máx/dia: 5,0 mg/kg;

Observações:
Pessoas com hipertensão e insuficiência renal devem observar o consumo, devido ao sódio na composição.

Stévia

  • Origem natural;
  • Extraído da Stevia rebaudiana, planta originária da fronteira do Brasil e Paraguai; Em 1887, já havia relatos de seu uso pelos nativos, mas foi industrializado a partir de 1970, no Japão;
  • Poder adoçante: 300 vezes maior que o açúcar;
  • Não fornece calorias;
  • Leve sabor residual;
  • Não favorece a formação de cáries;
  • Estável em altas temperaturas;
  • Apresentação: em pó ou líquido, geralmente associado a outros edulcorantes;
  • Uso industrial: achocolatados;
  • Consumo máx/dia: 5,5 mg/kg.

Observações:
Em 1995, o FDA liberou a importação da stévia como suplemento alimentar.


Sucralose

  • Origem articifial;
  • Resultado da troca de 3 átomos de cloro por 3 grupos de hidrogênio-oxigênio namolécula de sacarose;
  • Desenvolvida em 1976 e aprovada pelo FDA em 1998;
  • Poder adoçante: 600 vezes maior que o açúcar;
  • Não fornece calorias;
  • Doçura de rápida percepção, sem sabor residual;
  • Não favorece a formação de cáries;
  • Estável em altas temperaturas;
  • Apresentação: em pó ou líquido, associado ou não a outros edulcorantes;
  • Uso industrial: bebidas, produtos lácteos, pudins, gelatinas, gomas de mascar, misturas para bolos, geléias, coberturas;
  • Consumo máx/dia: 5,0 mg/kg.

Observações:
Não é metabolizado, sendo eliminado tal como ingerida. Pode ser consumido por diabéticos.


Resolução RDC N0 18, de 24 de março de 2008

Dispõe sobre o "Regulamento Técnico que autoriza o uso de aditivos edulcorantes em alimentos, com seus respectivos limites máximos".

Além de informar os novos edulcorantes aprovados para a utilização em alimentos no Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publica uma lista completa com todos os edulcorantes, os limites de ingestão máxima e os alimentos permitidos para uso de cada substância.

http://www.nutritotal.com.br/diretrizes/files/129--RDCEdulcorantes.pdf
Fonte: www.nutritotal.com.br

Referência(s)

- Ciências Nutricionais, J. E. Dutra-de-Oliveira, J. Sérgio Marchini, SP, 1998;

- Nutrição Conceitos e Controvérsias, Sizer, Frances; Whitney, Eleanor, 2003, Edição 8 ;


- Bioquímica Ilustrada, Pamela C. Champe & Richard A. Harvey & Denise R. Ferrier, 2005;

domingo, 20 de abril de 2008

O que você conhece sobre a Síndrome Metabólica?

A Síndrome metabólica tem como característica a associação de fatores de risco para as doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames cerebrais), vasculares periféricas, obesidade abdominal e diabetes. Tendo como base a resistência à insulina (Quanso as células não recebem sinais da insulina), o que obriga o pâncreas a produzir mais esse hormônio. É importante ter conhecimento que a associação da Síndrome Metabólica com doença cardiovascular, vem aumentando a mortalidade geral em cerca de 2 vezes e a cardiovascular em 3 vezes.

Portanto, não perca essa oportunidade em fazer suas perguntas e tirar suas dúvidas, em uma entrevista que será realizada com Sérgio Girão Barroso.

Todas as dúvidas e perguntas registradas na caixa de comentários nesse post, serão digiridas em uma entrevista que será realizada em breve com o Sergio Girão Barroso, Nutricionista graduado pela UERJ, com residência em nutrição clínica médica, Mestrado em fisiopatologia na UERJ, Doutorado em fisiopatologia na UERJ. Atuando atualmente como professor substituto do instituto de Nutrição pela UERJ.

Sergio Girão Barroso


sábado, 19 de abril de 2008

Alimentação do exército Brasileiro

"O maximo que já passei me alimentando disso, foi 3 dias". Essas palavras foram ditas com humor pelo soldado e guia no stand com informações sobre a estrutura do exercito brasileiro no Shopping. Bastante humorado e atencioso, ele explicou com precisão sobre os suplementos alimentares (ração operacional) que os combatentes recebem quando partem em missões. "É ruim, mas dá pra sobreviver" disse ele enquanto segurava um pacote (Sopa creme de cereais e vegetais).

Em um dia, a alimentação deles é: Café da manhã, almoço, janta e ceia. Cada um prepara sua própria alimentação, o que não é muito difícil. Através de uma espécie de fogãozinho, eles colocam a água pra ferver, com fogo aceso por um carvão cor de rosa, acrescentam o conteúdo do pacote na água, e comem. Pode ser acompanhado por um refresco (Abacaxi ou Maracujá), mas sem gelo. A sobre mesa pode ser biscoito (Única alimentação sólida), que fica em um pacote bastante apertado, pois todos são a prova d'água. "Também fazemos avaliação nutricional", finalizou o simpático soldado.

É, não dá pra se sentirem saciado e não agradar o paladar, mas os mantém vivo e nutrido enquanto isolados.

(Clica nas imagens para ampliar)

Todos os pacotes ficam nesses sacos e são a prova d'agua.

O fogãozinho, e o pote com o carvão.

O carvão.

E se faltar água? Este é um purificador! Eles o colocam na água e sugam com a boca! Agradável não!? (risos).


terça-feira, 15 de abril de 2008

Nutrição e Saúde bucal

Quando falamos em boca, nos vem a mente os lábios, a lingua e os dentes. Nossos dentes estão ligados por meio de sangue e nervos, ao coração e ao cérebro, portanto, a saúde dos dentes e da gengiva, está ligada ao corpo inteiro. Nós precisamos da nossa estrutura dentária para nos alimentar e ter uma melhor nutrição, pois é através dos dentes que trituramos o alimento para melhor absorção dos nutrientes pelo sistema digestório. Além da boa digestão, existem várias razões para cuidar dos dentes, a boa aparência, o bom relacionamento social, a vida profissional e boa pronúncia. De fato, a nutrição e a odontologia tem algo em comum: A prevenção de doenças. Um belo sorriso torna qualquer pessoa muito mais bonita e atraente, e provavelmente bem nutrida.

Sobre isso, eu conversei brevemente com um odontólogo (e grande amigo) André Mouta, que é Graduado em Odontologia pela Ulbra (Universidade Luterana do Brasil em Canoas RS), Pós Graduado em Sáude Coletiva pelo Unilassalle e Saúde coletiva pela UERGS com enfase em PSF pela UERGS escola de Saúde Pública do RS.

Raoni: Olá André, tudo bem com você?

André: Tudo ótimo

Raoni: André, eu observo que as pessoas são mais dispostas aos cuidados com os dentes do que com a própria alimentação em sí, embora não seja de um modo satisfatório, como deveria ser. O que justifica isso? Seria a estética?

André: Com certeza. Mas acho que as pessoas não têm o cuidado que deveriam ter com os dentes. Se preocupam mais com o corpo em geral.Se preocupam mais com a aparência, com a parte física.

Raoni: A nossa boca contém dentes, gengivas, lingua e saliva. Precisamos dessas estruturas para para triturar o nosso alimento e dar inicio ao processo de digestão na qual o organismo irá assimilar os nutrientes. Que prejuizos poderá sobrevir a saúde de uma pessoa com problemas dentário?

André: Pessoas com problemas dentários, como a falta de dentes, parcialmente ou total, tem prejuízos na estética, baixa auto-estima, na fala,na pronúncia de algumas palavras e claro, na digestão pela incapacidade de triturar os alimentos.

Raoni: Por exercerem funções importantes, nossos dentes precisam estar bem cuidados. A informação que muitas vezes chega à população é que o creme dental tem a função de fortalecer e manter a saúde dentária. A alimentação também influencia a boa saúde bucal?

André: O creme dental possui o Flúor que é muito importante para a saúde bucal. A alimentação tem um papel importantíssimo,na saúde bucal, principalmente quanto ao consumo do acúcar (sacarose). O ideal é que nos alimentamos de 5 a 6 vezes ao dia e fazer uma boa higiene dental, principalmente à noite. A quantidade de açúcar é muito importante no que se refere à cárie dentária. A ingestão de amidos tbm influencia muito na saúde do indivíduo.

Raoni: Muitas pessoas suspendem a sacarose por outros edulcorantes, os adoçantes dietéticos, porque, estes além de auxiliar na perda de peso, não causam cáries. Ma uma pessoa que ao ingerir alimentos que contém sacarose, frutose e outros açucares que provocam cárias e imediatamente escovam os dentes, não terá problemas, correto?

André: Errado. Nada adianta se uma pessoa comer 10 vezes ao dia e escovar os dentes 10 vezes ao dia. O ideal é que o indivíduo se alimente no máximo 5 vezes ao dia e escove os dentes três vezes ao dia, fazendo uma boa higiene. O Flúor terá condições então de remineralizar o esmalte dentário após a alimentação, nesse tempo. Quando nos alimentamos, há uma desmineralização e como flùor uma remineralização do esmalte dentário. E a desmineralização será muito maior que a remineralização, quando nos alimentamos várias vezes ao dia e o Flúor não terá condições de agir e intervir nesse processode modo satisfatório. Sempre dizemos... A saúde começa pela boca!

Raoni: Carência de nutrientes afeta a vitalidade dos dentes e consequentemente a boa saúde bucal?

André: Sim, mas isso na formação dos dentes, quando na gestação da mãe. Há muito mito nessa história. A saúde bucal tem uma relação direta com a alimentação desde a infância. Hoje pedimos que as crianças até os 6 meses de idade tenha o leite da mãe como alimentação exclusiva. E que não forneçam açúcar de maneira alguma antes do primeiro ano de vida, o açucar é uma caloria vazia que a crinça não necessita.

Raoni: A prótese dentária exerce a função de trituração na mesma intenssidade que um dente normal?

André: Nunca. A prótese dentária vai auxiliar e muito na função mastigatória, na estética do indivíduo. Mas nunca será igual ao dente.

Raoni: Quais os critérios a serem usados na escolha de uma escova e um creme dental?

André: A escova deve ser compatível com o tamanho da boca do paciente. Criança, escova infantil, por exemplo. Cerdas, sempre macias. E o creme dental deve conter flúor. E deve ser tratado como medicamento, deixando fora do alcance das crianças, para evitar o consumo inadequado. E usar o fio-dental também.

Raoni: Nutrição e Odontologia andam juntos, pois para uma boa nutrição é necessária uma boa estrutura dentária, e para uma boa estrututura dentária é necessário uma boa nutrição. O curso de odontologia oferece diciplinas voltada para nutrição?

André: Na verdade, não há uma disciplina exclusiva de Nutrição. Mas fala-se me Nutrição em várias disciplinas ao longo da faculdade, principalmente em Odontopediatria, onde o consumo de acúcares e os excessos na alimentação são mais freqüentes. E na disciplina de Cariologia, onde estuda-se a história, a formação da cárie.

Raoni: Tenho um amigo, chamado Wendson, que está cursando odontologia na FACIMP (Faculdade de Imperatriz). Ele está no 3º periodo. Os profissionais da saúde tem um dever acima de tudo de educar a população. Para isso é necessário bastante dedicação e estudo durante a faculdade. O que você tem a dizer a estes futuros odontólogos?

André: Educar a população é muito difícil, mas devemos nos empenhar muito para que consigamos atingir nossos objetivos. É uma tarefa muito importante, que será conseguida quando se tem amor à profissão. Um bom profissional se faz com dedicação nos bancos da faculdade sim, mas sobretudo na relação paciente-profissional. Somos capazes de transformar o indivíduo e seus hábitos. E capazes de transformar a saúde pública brasileira.

Raoni: André, muito obrigado por dispor seu tempo a esta pequena entrevista para eu pôr aqui no blog! Espero não ter tomado muito e espero que você ainda disponha novamente seu tempo em outras que possam surgir por outras dúvidas (risos). E Eu desejo que você possa adquirir mais sucesso profissionalmente e pessoalmente! Um grande abraço!

André: Foi um prazer, pode contar comigo. Sucesso pra ti tbm!


segunda-feira, 31 de março de 2008

Uma vida inteira de Nutrição

(Por Raoni Dantas)





Você se lembra do que se alimentou na primeira semana do mês passado? É provável que não. Talvez você não se lembre nem mesmo do que se alimentou há 2 dias! Mas concorda que não estaria lendo isso, caso não estivesse se alimentado mesmo sem recordar agora? Quando você chegar aos 65 anos ou mais do que isso, é provável que tenha consumido 70 mil refeições e seu notável corpo terá utilizado 50 toneladas de alimento!

De fato, nosso corpo é um extraordinário “processador” de alimentos. Mas nem por isso devemos desafiá-lo constantemente. Os alimentos que escolhemos têm efeitos cumulativos sobre o nosso corpo. Aos 65 anos você sentirá os efeitos do que você ingeriu durante toda sua vida, mesmo sem lembrar-se do que ingeriu em algum dia nessa jornada. O certo é que os efeitos podem ser positivos ou negativos. Isso dependerá das escolhas que você toma hoje.

A alimentação tem um vinculo muito especial com o bem-estar físico e o pleno desenvolvimento mental e emocional. O conheci